28/11/10
COMO SURGEM OS MONSTROS
Enfim, os seres humanos têm que entender que sua sobrevivência depende das condições favoráveis do planeta, mas o planeta continuará existindo sem a presença do homem.
Que tempo bom, que não volta nunca mais (frase da música de Thaide e DJ Hum), é apenas força de expressão, pois, acredito que eles estão voltando, sim.
Não conheço ninguém do "BBB", nem tampouco de "A Fazenda". Fiz questão de perder todos os episódios, contrariando todas as estatísticas do ibope. Recuso-me a assistir ao Fantástico, Gugu, Faustão e outras aberrações do gênero. Não sei quem está fazendo sucesso com o riduculo "sertanejo universitário", muito menos o "analfabeto".
O "bonde do tigrão" passou e, graças aos deuses da música, o perdi. De vez em quando, algum FDP passa por mim, dentro de seu bólido reluzente, ouvindo o maldito "funk carioca" em altos e insuportáveis decibéis. A minha felicidade é saber que, dentro em pouco, o infeliz estará surdo. Aliás, esta denominação, "funk carioca", vem fazendo nosso inesquecível e fantástico, James Brown, se contorcer em sua tumba. Descanse em paz, meu Rei!
Nos anos 1980 falava-se muito que nossa geração só ouvia música estrangeira. Concordo, em gênero, numero e grau, mas pelo menos se ouvia boa música. Para mim a música, é boa ou ruim. A música é universal. Música é Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si. A letra da música é que se modifica, pode ser em português, inglês ou alemão.
Não me venham com a história de que devemos preservar nossas raízes. É lógico que devemos preservar as raízes, mas porque não o fizeram. Sabe o que fizeram? Arrancaram as raízes e deixaram-nas apodrecer. Pegaram-nas e as deixaram nas mãos de pessoas sem escrúpulos ou ética.
Em minha casa só entra música boa. Não me importa se veio da Suécia, da Rússia ou de Angola. Eu quero um som que preencha a minha alma e não machuque meus ouvidos. Notas bem colocadas, na hora e local exatos, dentro da melodia. A música tem que te remeter a uma catarse, te fazer renascer ou transcender o tempo. A música tem que ser mágica, e se não o for a magia não surgirá.
Como gados, as pessoas são levadas pela mídia a ouvir as músicas da moda. As ouvem até a exaustão, até chegar outros estilos sugeridos pelas gravadoras, iniciando-se, assim, outra odisséia musical inglória.
Por isso, continuo naquele mesmo ponto, perdendo todos os "bondes dos tigrões" e rindo dos idiotas com seus chapéus de cowboy e seu desagradável "sertanejo universitário". Fico feliz de ser uma pessoa desatualizada e conseguir passar por um fútil BBB e não reconhecê-lo. Acho-me importante e mais civilizado por odiar rodeio e toda parafernália que vem agregado a ele.
Apesar de tudo, sou um cara feliz. Conheci Ed Motta e sua música, ao vivo. Curti o som do Clube do Balanço, que a mídia insiste em não promovê-los, assim como a nova formação da Banda Black Rio e Trio Mocotó, sem falar do som incrível do Funk Como Le Gusta. Desculpem-me as outras que não me lembrei, mas as trago todas no meu coração.
Por isso, quando se fala de música, não me prendo a raízes. Gosto de boa música, e se, a partir de hoje, ela for composta apenas fora do Brasil, sinto muito, mas me tornarei um ouvinte internacional.
Pensamentos estáticos e lineares não combinam com as metáforas dos libertários. Similares são criados todos os dias, para desespero destes. Uma bruma sufocante permeia a atmosfera, tornando-a quase que irrespirável. Atitudes dantescas assombram, a todo tempo, estes pobres infelizes, que sentem-se presos, como que dentro de uma bolha, onde um universo incrível e rico não pode ser dividido. Como dividí-lo com estes seres incompletos? É a mesma coisa que dar pérolas aos porcos. Não saberiam o que fazer, nem tampouco mensurar seu valor.
Sofrem demais ao constatarem que as impurezas são, absurdamente, valorizadas. Enquanto isso os verdadeiros heróis caem no ostracismo (literário, musical, etc…). Convém retirar-se estratégicamente e vigiá-los, para que você também não venha a esquecê-los. É bom frisar que, nesta nova geração, aqui, alí, acolá, vez ou outra, nasce um rebendo com dotes que destoam desta imensa multidão. Estes serão os mensageiros que guardarão as tradições em suas novas quadros, composições, poesias e romances.
Serão pessoas muito fortes, pois para enfrentar o pragmatismo midiático instalado no estatus quo do establishment, terão de suplantar este mal. O que seria do mundo se nao fossem estas tais pessoas. Conseguem fazer a leitura do mundo, friamente, sem medo, e traduzí-lo em respostas e metáforas que, de tão simples e óbvias, irritantemente ainda não haviam sido digeridas.
Esta facilidade de compreensão que os torna os gênios que são. Lapidam letras e sons, situações e histórias, produzindo, assim, o suco da história. Geralmente tendem a instituir a destruição do status quo deste stablishment perverso, que contamina os que não teem a imunidade necessária para se desviarem do processo.
Se você vive neste mundo maravilhoso, mas dentro de uma bolha, e não pode dividí-lo, não se preocupe: existem vários mundinhos destes espalhados por este mundão. Pequenos paraísos artificiais. Demora para achá-los, mas assim é mais gostoso.
Quanto mais difícil mais gostoso, quanto mais simples mais genial.